Projeto

Um dos mais significativos artistas populares brasileiros, Manuel Fontoura, o Nhô Caboclo, denominava com singular expressão o seu universo. Aos inoportunos que dele se aproximavam, tecendo comentários sobre seu trabalho sem o devido respeito, ele replicava com firmeza:

“Disso você não entende não, isso é coisa do Reinado da Lua.”

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Nosso projeto teve origem no Recife, na década de 1960, a partir da experiência desenvolvida por Silvia Rodrigues Coimbra, criadora e uma das dirigentes da galeria de arte Nega-Fulô Artes e Ofícios. Durante os seus dez anos de existência (1969-1980), a galeria estabeleceu uma nova relação entre o artista, sua arte e o mercado. Além da comercialização da arte popular, era um espaço de shows, debates, exposições, pesquisa e diálogo permanente com o artista.

É nesse contexto que a Nega-Fulô assume, em 1975, o projeto de pesquisa “A Arte Popular no Nordeste – Escultura”, sobre escultores populares, realizado nos nove estados do Nordeste.

Essa pesquisa deu origem ao livro O Reinado da Lua – Escultores Populares do Nordeste, lançado em 1980 e já em sua quarta edição (2010). Posteriormente, foram publicados os livros Santeiros da Bahia – Arte popular e devoção (2010) e Nova Fase da Lua – Escultores Populares de Pernambuco (2012).

 

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Nossa proposta

A premissa que norteia nossa pesquisa, presente nessas obras, é focalizar a escultura popular a partir, em primeiro lugar, da perspectiva de seus autores, em que cada um deles aparece de forma individualizada, ao contar sua própria história e a história de seu trabalho. O objetivo é documentar uma realidade – estilo de vida, processo de produção, características dos produtos e visões de mundo – por meio da figura do escultor e de suas obras, tanto como singularidade quanto em suas relações dependentes de um contexto social e histórico em transformação.

O registro fotográfico acompanha cada passo da pesquisa. Em cada obra, procura-se caracterizar a produção artística em suas semelhanças e diferenças, a partir do discurso dos artistas, da observação direta da pesquisa e do diálogo com outras referências institucionais e bibliográficas.