Maluco Filho (Almir Ferreira Neto)

Cap05-118

Meu pai quis que eu usasse esse nome e eu acabei gostando. Acho que é maluquice mesmo, pegar a madeira e transformar em alguma coisa. Mas maluquice pra mim não é de jogar pedra, é desenvolvimento espiritual. Comecei com a arte com onze anos, lixando as peças do meu pai e dando acabamento. Ele não me ensinou diretamente, eu sempre olhava ele trabalhando e fui aprendendo. Pegava nas ferramentas escondido. Comecei a trabalhar a madeira com a faca. Só depois é que usei o formão. Meu pai tinha medo que eu botasse as peças a perder. Minha primeira peça foi um São Jorge de placa, como uma talha, gravado na madeira. Fiz de cabeça. Ele em cima do cavalo matando o dragão. Meu pai tinha começado a peça: enquanto ele foi tomar banho peguei o formão e comecei a bater. Quando ele chegou perto, eu já tinha feito o rosto. Ele viu que estava certo, e aí eu continuei. Então ele começou a me dar mais chance.

Localização

Bahia, Cachoeira

Endereço

Cachoeira, Bahia

Livros

O Reinado da Lua