Etewaldo Cruz Santiago

Cap09-232

Quando eu era garoto fazia umas pecinhas com esse barro de estrada, torrado, ou então pegava um pedaço de madeira. A ideia de fazer vinha da minha própria cabeça. Em Natal eu era letrista. Depois de casado, eu mudei pra Ceará-Mirim – isso em 1970. Cheguei aqui como fotógrafo. Era o que eu fazia pra sustentar a família. E de vez em quando eu fazia uma pecinha de madeira. Sempre fiz essas mesmas figuras. Toda a vida gostei de velho, dessas pessoas sofridas. Foi quando meu cunhado, que mora em São Paulo, viu um trabalho meu e me animou muito. Eu não sabia nem o que é que eu fazia, só sabia que gostava. Então ele me disse: ‘Aqui tem barro de louça?’ Eu disse: ‘Tem.’ Aí ele disse: ‘Você pega aquele barro do jeito que você faz assim na madeira.’ Ele me incentivou muito. (…) Gosto mais de fazer agricultor e pescador. São os que têm mais saída. Quase tudo velho. Aqui, sempre ando aí por fora pra pegar modelos de velho. Pelo carnaval eu gosto muito de conversar com eles. Se eu descobrir um canto que tem uns velhos do meu tipo, começo logo a conversar com eles. Pago até cachaça pra ficar olhando a roupa, o jeito, o chapéu…

Localização

Ceará-Mirim, Rio Grande do Norte

Endereço

Ceará-Mirim, Rio Grande do Norte

Livros

O Reinado da Lua