Dedé (José Soares Dinis)

Cap10-261

Eu comecei com esse serviço com quatorze anos. Meu pai já fazia. Depois ele passou a farmacêutico e eu fiquei nisso sozinho. Em criancinha eu trabalhava escondido. Meu pai não queria não. Eu pegava um pedacinho de pau, quando ele me chamava eu escondia os pedacinhos de pau, a faquinha e chegava lá onde ele estava. ‘Que é que o senhor estava fazendo?’ – era o jeito que ele perguntava. Então eu dizia: ‘Eu estava por aí caçando com baleadeira.’ Um dia fiz uma escultura bem parecida e cheguei pra junto dele, meio desconfiado: ‘ Olha, pai, o que estava fazendo.’ Ele chamou logo minha mãe: ‘Maria, vem ver o que esse camarada quer fazer!’ Daí por diante, perdi a cerimônia e comecei a trabalhar junto com ele. Ele morreu e eu fiquei. Toda escultura de santo que existe no Céu ele fazia, como eu faço também. Só que a gente não faz diretamente porque o pessoal não pede. A gente vai pelo que o pessoal pede. O que mais pedem é o São Francisco. Se nesse instante eu tivesse duzentos São Francisco eu levava tudo pra Fortaleza. Tem uma loja lá que me compra muito.

Localização

Canindé, Ceará

Endereço

Canindé, Ceará

Livros

O Reinado da Lua