Benedito José dos Santos

Cap12-297

Tinha um pensamento de fazer umas peças de madeira, sem nunca ter visto ninguém fazer. Já tinha visto outras peças prontas, mas essas não tinha no pensamento de jeito nenhum – inventei. Comecei com raízes que eu achava no mato. Fazia cobra, lagartixa, qualquer tipo de bicho. Por exemplo, de uma raiz, da parte de cima eu faço um índio, uma pessoa; embaixo, lagartixa, cobra… Quando comecei, pensei em fazer um trabalho pra vender. Hoje tomei gosto. Mesmo se um dia tirasse a loteria, ficava fazendo uma peça e outra. Depois, fui pensando e fui fazendo essas figuras de hoje, com a ajuda dos sonhos. Acho que é porque adormeço com aquilo no juízo. Passo o dia pegado na madeira; aí de noite vem o sonho. Quando acordo, chega a imaginação. Então tenho uma felicidade estranha.

O pessoal diz que eu faço santo, mas não é santo, não! Boto esses mantos compridos em uns porque, nesse caso, a veste dele deve ser completa. Faço uma base de cinquenta peças diferentes umas das outras. Ultimamente, o que mais gosto de fazer é a mãe e a filha, que chamam de Santana, e o pai e o filho, que são dois pedaços de pau cruzados, quatro mãos, quatro pés e duas cabeças, o filho dentro do pai. Faço também o filho carregando a cruz, finalmente é a peça que eu também gosto mais. É muito difícil – só fiz umas cinco ou seis. Foi uma ideia minha, nunca tinha visto em lugar nenhum. Foi quase um sonho, uma imaginação. Faço essas peças porque acho bonito, mas não por uma fé de que é santo.

Localização

Olinda, Pernambuco

Endereço

Olinda, Pernambuco

Livros

O Reinado da Lua